Posterous theme by Cory Watilo
Jean Piter

ENTRE VINHOS E VELHOS AMIGOS...

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Um grande amigo de infância, quase irmão, se casou ontem. No civil. Ele já mora com a boa mocinha há um bom tempo, com quem tem uma bela filinha de quase três anos de idade. Não houve cerimônia, nem festa. Mas teve um ótimo jantar para poucos e agraciados convidados, na casa dos noivos. Entre eles, eu.

Cheguei a casa deles levando seis garrafas de vinho. Duas Cabernet Sauvignon, que não faço idéia do que seja, mas iria beber pra experimentar, já que ouvi esse nome umas mil vezes esse ano. Duas Merlot, que conheci no Uruguai e gostei muito. E duas Tinto Suave, dessas mais baratas, só pra completar. Não entendo bolhas de vinho, nem pretendo pra não parecer tucano. Mas isso não importa.

No jantar, encontrei outros amigos de infância que não via há muito tempo. Foi engraçado saber que uns viram evangélicos, outros metalúrgicos, outros professores, que todos já se casaram e que a maioria ainda não tem muita coisa na cabeça.

Os ex-metaleiros, agora vestindo roupas normais e de cabelos cortados, abriram os vinhos que levei e encheram copos que foram reenchidos poucos minutos depois, como nos bons tempos de quinta série. Quando procurei um copo pra mim, só havia um outro vinho estranho, que também estava quase no fim, desses que vêm em garrafas de plástico. Eu parei e, sem opção melhor, peguei um Guarapan.

Velhos hábitos... Há coisa que nunca mudam. Ainda bem. =)

 

THE LAKE AND THE CELL PHONE

 

Já faz algum tempo em que a vi pela última vez. E de lá pra cá eu deixei de contar os dias, as horas e os minutos em que estamos separados. Um dia, tão logo, eu vou parar de enlouquecer. Prometi isso pra mim mesmo naquele último dia em que fraquejei e tentei ligar pra ela. Ou melhor, que liguei e que pela milésima ela bateu o telefone na minha cara. Eu nunca mereci isso. Nem mereço. Naquele dia eu desisti de falar com ela.

O problema é que ela se via no direito de me ligar ou de me enviar mensagens quando desse vontade. Eu fraquejei e a atendi por algumas vezes. Não ajudou em nada, só fiquei pior. E também não fiquei nada bem nas vezes em que o telefone tocou, vi que era ela e não atendi. Eu tinha que dar um jeito nisso e então fiz como vi num filme. Juntei os cinco telefones dela – celular, de casa e do trabalho – tudo em um só contato e alterei o nome para: NÃO ATENDA, NEM LIGUE PRA ELA NUNCA MAIS. Assim mesmo, em letras maiúsculas.

Foi engraçado e assustador ver isso na tela do meu telefone pela primeira vez. Tinha a foto dela e tocava a música que um dia foi nossa. Parecia uma boa idéia, e ao mesmo tempo não. A cada vez que o telefone tocava e eu não atendia, meu coração disparava e dali em diante eu já não conseguia fazer mais nada.

Eis que hoje eu me cansei de tudo isso. O telefone tocou mais uma vez, não atendi, fiquei mal e por muito pouco não comprometi o meu trabalho. Disfarcei o nervosismo até o fim do dia e às sete da noite, num bar desconhecido, tomei dois copos de whisky sem gelo, comi dois pacotinhos de amendoim com sal e ainda bebi dois cafés. Perguntei pra mim mesmo o que fazer. – “Jogue o telefone fora!”. Me questionei e só ouvi um silêncio que dizia que não havia nada melhor a fazer.

Peguei a moto e segui a estrada, sem rumo. Eu pensava: -“Poxa, é um smartphone legal, é caro, com câmera de 8mpx, e ainda nem salvei as fotos no computador (inclusive as dela), tem músicas, agenda...”. O fato de eu não ser nada materialista me ajudou a não voltar atrás. Eu estava como o Mel Gibson no filme Um novo despertar. Eu precisava me desprender de “parte de mim”.

Parei a beira de uma lagoa, já bem tarde da noite e bem distante de casa. Não havia nem uma estrela no céu pra ficar de testemunha. Tirei a capa do celular e joguei no mato. Segurei o telefone na mão, apertei com bastante força e o arremessei o mais alto que pude. Segundos depois, ouvi um barulho: “pluft”. Depois veio o silêncio. Fique sentado ali por algum tempo para ver qual seria a minha reação. Foi de indiferença e de paz.

Peguei a moto e voltei para casa com um meio sorriso no rosto e com o coração leve. Só eu e a minha moto numa estrada distante, sem pressa... Agora nem o povo do CSI vai conseguir encontrar meu telefone. Meus contatos de trabalho, eu os encontro no Google. Meus amigos, esses sabem onde me encontrar.

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PS. Talvez no Natal eu ganhe um iphone de presente. Tipo assim, eu na pessoa de mim mesmo pretendo me presentear.

 

STAY ALIVE...

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Me deu vontade de falar sobre o filme Meia noite em Paris. Sei que muita gente já escreveu sobre isso. Os bons críticos de cinema – e digo bons no sentido de serem sensatos – e também os pseudo-críticos – aqueles que só encontram defeito em tudo. Mais isso é conversa pra outra hora. Eu adorei o filme. É uma viagem fantástica. E gostei bem mais do contexto que está por trás da tela.

Owen Wilson está ótimo. É uma volta e tanto para ele que em agosto de 2007 passou por um episódio de tentativa de suicídio. Wilson teria tentado cortar os pulsos e também ingerido uma série medicamentos, sem êxito (é claro!). Varias publicações disseram que ele sofre (ou sofria) de depressão, essa doença comum nos dias de hoje em que muita gente vive em função do trabalho e do consumismo. E como vemos, afeta até gente bonita, rica e famosa. Os psicólogos que o digam.

Penso que se Owen Wilson tivesse morrido naquela ocasião, teria sido um fim trágico. Seria somente mais uma estrela de Hollywood a perder a cabeça. No caso dele um tanto pior pois, ao me ver, ele seria lembrado por uma carreira medíocre e caricata, de um ator estigmatizado pelas comédias do estilo besteirol americano.

Não sei como ele saiu dessa, se foi com fé, ajuda de amigos, família, terapia ou com tudo isso junto, ou mesmo se superou os problemas. Fato é que, um ano depois ele estava emplacando um sucesso de bilheteria: Marley e Eu. O filme deu a ele a oportunidade de mostrar que também sabe atuar com alguma carga dramática. Outros trabalhos vieram, ele seguiu em frente e conseguiu esse presente, e digo um presentaço, de Woody Allen. Meia Noite em Paris é uma obra apaixonante, reflexiva, charmosa e inteligente, bem ao estilo do diretor. Está certamente entre os melhores filmes do novo milênio e creio que não seria exagero dizer que vai para galeria dos grandes feitos da história do cinema. Será uma maldade se não for ao Oscar junto com Wilson e Allen.

Olho para a vida de Owen Wilson e tenho certeza de que a vida é uma comédia. Sem trocadilho com o rapaz. Com eu disse, ele esteve bem perto de ser um ator comum, com uma filmografia questionável e sem uma biografia inspiradora.  Agora ele está entre as melhores surpresas do ano deixando aos fãs a expectativa de que outras coisas boas estão por vir. Fica pra mim a lição de que não há receita, fórmula ou ritual que se possa fazer para dar a volta por cima. O que tenho certeza é de que, pra se ter uma nova chance de fazer algo melhor com a própria vida, a gente só precisa ficar vivo. Só assim é possível fazer algo ou ver se alguma coisa acontece. E detalhe, não tem nada a ver com auto-ajuda.

Resurrecting...

 

Retratação:

 

TOMMY KINCAID: VERDADE SEJA DITA

 

Um escritor, como um pugilista, precisa ficar sozinho. Ter suas palavras publicadas é como entrar em um ringue. Coloca seu talento em evidência. E não há como se esconder. Eu nunca quis escrever uma história sobre mim, ou meu filho. Ou sobre o amor. Ou das mentiras que algumas vezes surgem por amor.

 

Eu vou dizer algo sobre o homem que eu chamava de Campeão. E que todos chamavam de Campeão. Ele foi, antes de tudo, meu amigo. Ele foi, também, um mentiroso. Mas foi porque ele tentava ser alguém melhor do que realmente era? Ou foi por causa de uma força mais poderosa do que um filho querendo a admiração de seu pai ou o pai querendo a admiração de seu filho? Às vezes, precisamos da ajuda da imaginação para atingir este nível. Porque não é uma tarefa fácil ser o mais forte, o mais esperto, mais querido homem do planeta. E o que é mais triste do que aquele momento, é quando nosso filho descobre que não somos aquele super-homem que criamos. Ou ainda, como Herman Melville escreveu, um homem de valor.

 

As mentiras que vêm do amor machucam tanto quanto as outras. Legado dos campeões, eu suponho, é a inspiração para a verdade e da beleza que pode emergir dela. Uma beleza que deixa nossos filhos nos admirar incondicionalmente. Amar-nos incondicionalmente. Como amo meu filho “mucho grande”.

 

Erik Kernan.

 

 

 

 

Do filme: O RESGATE DE UM CAMPEÃO (2007)

 

 

CRÔNICA DE MAIO

 

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Se me lembro bem, em maio de 2006, eu estava em um romance complicado. Eu iria trocar de emprego até que quebrei dois dedos da mão esquerda quando ajudava meu pai em um trabalho em casa. Fiquei irado já que até então nunca havia quebrado um único osso. E olha que quando criança eu cai de árvores e telhados dezenas de vezes. Na época perdi o emprego e o namoro chegou ao fim.

 

Um ano depois, eu estava assistindo ao filme A Casa do Lago, com duas Coca-Colas de 500 ml e um balde de pipocas, sozinho, em uma sala de cinema cheia de casais. Ha! Eu tinha levado um bolo!!! Ao menos não perdi os bilhetes e gostei do filme. A história rendeu o primeiro texto de um antigo blog que iniciei exatamente no meu aniversário daquele ano.

 

Em 2008, resumindo, levei um pé na bunda exatamente no dia do meu aniversário, por telefone, às nove e pouca da noite, após um dia inteiro discutindo a relação. O pior é que eu já tinha comprado o presente para ela, que faria aniversário quatro dias depois. Entreguei, é claro. Uma bolsa branca feminina não teria a menor utilidade pra mim.

 

No mês de maio de 2009, me lembro de estar brigado com a menina que mais amei (E que talvez ainda ame. Talvez não, ainda amo sim! Raios!). Era uma época que por si já não ajudava muito uma vez que eu dividia meu tempo entre a monografia, o estágio e alguns trabalhos extras. Doze meses depois, eu estava longe dela, tentando me adaptar ao meu primeiro emprego como jornalista. Era um sufoco tão grande que nem vi meu aniversário passar.

 

Até que este ano tudo mudou. A menina que mais amei (Ha!) brigou comigo no início do mês. Fiquei mal (e ainda estou). Gastei R$ 80 reais com remédios pra dormir. Fiquei de plantão no último fim de semana e o ar condicionado do trabalho me deu uma gripe e uma dor de garganta de presente. Gastei outros R$ 30 com remédio (que eu preferia gastar com cinema por exemplo). Mordi a língua e tive duas aftas.

 

Pensando em tudo isso, eu que sou cético demais teria muitos motivos para acreditar em Inferno Astral. Essa coisa de que os trinta dias que antecedem a data de aniversário são conturbados. Pero yo no creo!

 

Hoje recebi alguns telefonemas, umas poucas mensagens pelo celular e muitos abraços das pessoas com quem convivo diariamente. No Facebook, foram exatos 98 cumprimentos, os quais respondi um a um. Amigos, colegas e amores! No fim das contas, pra mim, isso é o que conta.

 

Eu até queria acreditar ao menos um pouco nessas superstições. Eu queria acreditar que se eu fizesse um bolo enorme no meu aniversário (mentira, eu iria comprar é mais fácil) e o enchesse de velas, ao soprar eu poderia fazer um pedido que muito provavelmente iria se realizar. Claro que eu iria pedir para ela voltar, em segredo. Algumas amigas me matariam se soubesse que, apesar de todas as complicações, eu ainda considero a possibilidade. Mentira. Não considero mais. Mentira. Eu esperei o dia todo por um telefonema que não veio. Um bom motivo além das muitas complicações que não citei para que eu esqueça de vez essa história, não?

 

Mas bem, os raios que partam com essa de Inferno Astral. A Lua está linda lá fora, faz frio aqui e eu adoro esse tempo. Tem uma festa amanhã. Daqui a pouco é fim de semana. Daqui a pouco tem festas juninas, que são as que mais gosto. Fui convidado pra ir ao cinema muito muito bem acompanhado. O café aqui de casa ainda está quente apesar de já ser madrugada do dia 19. Estou ouvindo músicas boas e descubro que de alguma forma ainda sei escrever. Não que isso seja lá grande coisa. Mas é legal saber que ainda posso.

 

Ano que vem, nessa mesma hora, nessa mesma data, quero estar em um café de Buenos Aires escrevendo uma crônica qualquer que venha contradizer essa idéia de dias turbulentos obrigatórios no mês de maio. Vou plantar essa frase que recebi em meu coração: “Que Deus te abençoe muito, concretize seus sonhos, te conceda uma vida plena com muita paz, saúde, amor, sucesso, enfim, tudo de bom!”. Com 10% disso eu terei a sorte de um amor tranqüilo. Até lá, terei um pouco de fé e farei o que puder. Claro, se eu conseguir tudo isso, juro que divido. Pode cobrar.